- Estudos do MIT mostram que um caminho de sobrevivência de backup, regulado pela família de quinases SRC, faz células de tumor resistirem a inibidores de tirosina quinase em câncer de pulmão.
- Mesmo com o bloqueio do caminho-alvo, o cenário de SRC já está ativado nas células resistentes, ajudando-as a continuar se proliferando.
- A combinação de um inibidor de tirosina quinase com um inibidor de SRC pode eliminar mais células tumorais; ensaios clínicos já estão em curso para câncer de pulmão.
- Os pesquisadores usaram fosfoproteômica para mapear as vias ativas antes e depois do tratamento, identificando o papel das quinases SRC na resistência.
- Além do pulmão, SRC está ligado à resistência em melanoma e glioblastoma; há planos de testar a combinação também em câncer de pâncreas.
A pesquisa conduzida pelo MIT explica por que alguns tumores respondem pouco a drogas que bloqueiam enzimas chamadas tirosina cinases. Os cientistas descobriram que muitas células cancerosas ativam uma via de sobrevivência alternativa quando o caminho alvo é inativado, tornando o tratamento menos eficaz. O estudo aponta que esse mecanismo está enraizado nas células e sustenta a resistência a várias terapias, inclusive quimioterapias.
A equipe analisou seis linhagens de câncer, originárias de pacientes com câncer de pulmão, usando proteômica de fosforilação para mapear as vias ativas antes e depois do tratamento. Mesmo com a inibição do gene alvo, as células resistentes já exibiam a ativação de uma rede de sinalização regulada pela família SRC de quinases. Essa via facilita a proliferação e a possível disseminação das células.
A pesquisa mostrou que combinar inibidores de tirosina cinase com inibidores da família SRC aumenta a morte celular em células resistentes. Ensaios clínicos já estão em andamento para testar essa combinação em pacientes com câncer de pulmão. A equipe do MIT pretende ampliar os testes para outros tumores, como o câncer de pâncreas.
O estudo, cujos resultados aparecem na Proceedings of the National Academy of Sciences, tem como coautor principal Cameron Flower PhD ’24, atualmente pós-doutorando no Dana-Farber Cancer Institute e no Boston Children’s Hospital. Forest White, professor no MIT, atua como autor sênior.
Os pesquisadores destacam que o uso de fosfoproteômica pode orientar decisões clínicas ao identificar, em pacientes, quais amostras já possuem a via SRC ativada. A abordagem pode ajudar a ampliar o conjunto de pacientes que se beneficiam das terapias-alvo. Além do câncer de pulmão, a ativação da via SRC já foi observada em melanoma e glioblastoma, sugerindo aplicação mais ampla.
As descobertas reforçam a ideia de que terapias combinadas podem superar a resistência adquirida ou intrínseca a inibidores de tirosina cinase. Pesquisas futuras devem confirmar a eficácia clínica dessas estratégias em diferentes tipos de tumor. O estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde e pelo MIT Center for Precision Cancer Medicine.
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