- estudo publicado na Molecular Biology and Evolution gerou um genoma de referência de alta qualidade do urso-pardo dos Apeninos (Ursus arctos marsicanus) e identificou sinais de seleção em genes ligados à redução da agressividade, associando-se à convivência com humanos.
- a população é isolada desde a Roma antiga, apresentando baixa diversidade genética e altos níveis de endogamia, com ursos menores e traços faciais distintos, além de comportamento menos agressivo em comparação a outras regiões.
- os genomas dos Apeninos foram comparados com ursos pardos da Europa Central, América do Norte e com dados da Eslováquia, confirmando a baixa diversidade e a endogamia como características da população.
- houve identificação de assinaturas de seleção em genes relacionados à redução da agressividade, sugerindo que indivíduos mais dóceis sobreviveram e se reproduziram sob pressão humana.
- as conclusões apontam implicações para conservação e repovoamento, destacando a necessidade de considerar variantes genéticas locais para evitar perder adaptações que reduzem o conflito com humanos.
Um estudo publicado na revista Molecular Biology and Evolution revela que um grupo de ursos pardos que habita os Apeninos, na Itália, apresentou sinais de seleção em genes ligados à redução da agressividade. A pesquisa utilizou um genoma de referência de alta qualidade, mapeado em nível cromossômico, para entender a adaptação frente ao convívio com humanos.
Os autores compararam o genoma dos ursos dos Apeninos com populações da Europa Central e da América do Norte, além de dados da população eslovaca. Foram observadas baixas diversidade genética e altos níveis de endogamia, típicos de populações isoladas há milênios.
Os resultados indicam que, ao longo de gerações, indivíduos menos agressivos podem ter maior chance de sobrevivência e reprodução em meio humano, promovendo uma seleção indireta. Pesquisadores destacam implicações para conservação e estratégias de repovoamento na região.
Resultados e implicações
Os pesquisadores explicam que a convivência prolongada entre humanos e ursos pode reduzir conflitos, favorecendo traços comportamentais menos agressivos. O estudo aponta ainda que variantes genéticas associadas à agressividade não devem ser desconsideradas em planos de manejo.
Giorgia Bertorelle ressalta que interações com humanos podem moldar a evolução de populações selvagens, ao mesmo tempo em que aumentam riscos de extinção. A comunicação entre as equipes enfatiza cautela ao planejar repovoamento para não diluir variantes adaptativas.
Entre na conversa da comunidade