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Patinho Feio: a trajetória do primeiro computador brasileiro

Do protecionismo à abertura, indústria de informática brasileira perde fôlego; hoje, o Pix revela competência ainda existente, apesar do atraso tecnológico

(Juliana Krauss/Superinteressante)
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  • Em 24 de julho de 1972, na Escola Politécnica da USP, foi exibido o Patinho Feio, o primeiro computador brasileiro, cuja demonstração acabou interrompida por um tropeço que desligou a máquina e exigiu recompor as instruções manualmente.
  • O projeto nasceu sob políticas protecionistas do regime militar, com o LSD (Laboratório de Sistemas Digitais) e o G‑10, evoluindo para o MC 500 e, via Cobra (Computadores e Sistemas Brasileiros), a criação de uma indústria nacional de informática.
  • A partir da segunda metade dos anos oitenta, crise econômica, abertura tecnológica e queda de investimentos reduziram o fôlego do setor; a Cobra foi incorporada pelo Banco do Brasil, e várias empresas nacionais foram enfraquecidas ou migraram de setor.
  • O atraso tecnológico ajudou a ampliar a distância versus concorrentes internacionais, gerando fuga de talentos e dificuldade de manter laboratórios e rumo de desenvolvimento estratégico no país.
  • O Pix é citado como exemplo de inovação brasileira, indicando potencial existente e a necessidade de ajuste de condições para transformar conhecimento em novos produtos, tecnologias e competitividade.

A manhã de 24 de julho de 1972 marcou a USP: o Patinho Feio, primeiro computador brasileiro, foi exibido publicamente, com Laudo Natel, Miguel Reale e Dom Ernesto de Paula na plateia. A demonstração quase falha ao desligar o equipamento, apagando tudo. O episódio motivou soluções rápidas e criou a ideia de construir tecnologia nacional.

A origem dessa trajetória está ligada à política de proteção à indústria de informática durante o regime militar. Universidades receberam apoio e o governo restringiu importações para fomentar desenvolvimento local, em especial na Poli da USP, que já trabalhava com o LSD, hoje PCS, e com a Marinha, que financiou o G-10.

O G-10 abriu caminho para o MC 500, o primeiro computador comercial brasileiro, produzido pela Cobra (Computadores e Sistemas Brasileiros). Nesse período, o Brasil desenhava uma indústria nacional de informática integrada a projetos públicos e militares.

A partir dos anos 1980, o cenário se converteu em crise. A abertura tecnológica, a inflação e o endividamento elevou a competição externa, levando à flexibilização de importações e à absorção de capital estrangeiro. A Cobra foi incorporada pelo Banco do Brasil, e várias empresas nacionais entraram em declínio.

Essa mudança associou-se ao atraso tecnológico: a competitividade brasileira enfraquecia, a formação de talentos perdia mercado interno e muitos profissionais migraram para o exterior. Hoje, a competência permanece, porém com desafio de manter produção e inovar em alto nível.

Apesar disso, o Pix é apontado como exemplo de inovação nacional. O sistema financeiro roda sobre uma infraestrutura sólida e equipes técnicas capacitadas, mostrando que o país ainda pode criar tecnologias próprias com condições adequadas.

Conforme especialistas, o Brasil tem potencial histórico e narrativa própria, com engenheiros e pesquisadores reconhecidos internacionalmente. A lição está em manter o impulso, convertendo conhecimento em novos produtos e avanços tecnológicos.

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