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Níveis dos Grandes Lagos caem enquanto centros de dados dos EUA chegam

Grandes Lagos enfrentam seca enquanto data centers consomem água local, ativando oposição comunitária e debate sobre recursos hídricos

A rendering of an aligned data centers expansion in Ohio with New Mega-Scale AI Campus
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  • A empresa Aligned Data Centers iniciou a construção do NEO-01, em Perkins Township, Ohio, um data center de aproximadamente duzentos mil pés quadrados em área de brownfield adjacente à fazenda de Tom Hermes, com investimento de cerca de $202 milhões e sistema de resfriamento em circuito fechado.
  • A água é central para o projeto: o local tem fornecimento urbano, mas há preocupação de que o consumo do data center reduza a pressão sobre o abastecimento da área, especialmente diante de níveis baixos do Lago Erie.
  • Os níveis de água dos Grandes Lagos vêm caindo desde 2019, em meio a seca e temperaturas mais altas, enquanto grandes centros de dados consomem água para resfriamento e geração de energia.
  • Comunidades próximas enfrentam resistência de moradores e autoridades locais, com casos de oposição que resultou no cancelamento de projetos em alguns locais, mas empresas de dados frequentemente buscam meios legais para avançar com infraestrutura.
  • A cidade de Perkins Township já recebeu contrapartidas, incluindo pagamentos para a administração local e escola, além de uma isenção de impostos de quinze anos; moradores levantam preocupações sobre poluição, interrupções de energia e impactos ambientais.

O sudeste de Ohio vê uma disputa entre água e energia ganhar contornos nacionais. Em Perkins Township, o data center NEO-01 da Aligned Data Centers, de origem texana, iniciou obras em maio de 2024 em um antigo lote industrial ao lado de áreas de cultivo. A expectativa é de um complexo de quatro prédios com 200 mil pés quadrados, gerando emprego para dezenas de trabalhadores na construção e 18 na operação.

Para os donos de fazenda da região, a água é recurso vital. O proprietário Tom Hermes, que aluga parte do terreno para cultivo, teme que o consumo intenso de água para resfriamento das máquinas reduza o abastecimento local. A empresa afirma usar um sistema de resfriamento com ciclo fechado e ar, mas a demanda de água para tecnologia de alto desempenho ainda é alta.

A região dos Grandes Lagos, já marcada por queda de níveis desde 2019, enfrenta novos desafios com a expansão de centros de dados. Fontes locais citam riscos de maior evacuação de água para consumo energético, além de impactos no ecossistema e na qualidade da água. Pesquisas apontam que centros de dados consomem aproximadamente 300 mil galões de água por dia, muitas vezes descartando água aquecida de volta ao ambiente quando o sistema não é de circuito fechado.

Desdobramentos no cenário regional

Entidades ambientais destacam o conflito entre planejamento de recursos hídricos e a chegada de grandes consumidores de água. Organizações de conservação ressaltam que o uso de água para resfriamento pode competar com necessidades de abastecimento de comunidades vizinhas, conforme normas regionais.

Ao longo de 2023 e 2024, comunidades próximas enfrentaram mobilização contra novos projetos de data centers. Em contrapartida, defensores das estruturas argumentam que os investimentos trazem receita tributária e ajudam na recuperação de infraestrutura local, inclinado pela exoneração fiscal de até 15 anos para a empresa.

Dados de universidades indicam que, mesmo com sistemas fechados, a necessidade de água permanece elevada para operar centros de dados modernos. Pesquisas associadas também alertam para o aquecimento de água residual caso haja falhas nos mecanismos de resfriamento.

Situação local em Perkins Township

A prefeitura, a escola local e centros de carreira receberam recursos de Aligned para apoiar a comunidade, em troca de uma exoneração fiscal. Questionamentos sobre a origem da água para o novo centro não tiveram respostas oficiais até o momento. Alguns moradores relatam problemas de energia na região, com elevações de tensão ocorrendo durante a construção.

Autoridades estaduais e organizações ambientais reconhecem a importância de equilibrar crescimento tecnológico e uso responsável de recursos naturais. O tema permanece sob monitoramento, com a expectativa de decisões sobre fontes de água futuras e o impacto a longo prazo na bacia do Lago Érie.

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