- Um estudo liderado pelo psephólogo John Curtice aponta que o apoio ao Reform UK depende fortemente de visões socialmente conservadoras, o que pode limitar o crescimento das suas intenções de voto.
- A pesquisa com mais de quatro mil e seiscentas pessoas no Reino Unido mostra que apoiadores do Reform costumam ter votado no Brexit, ser mais velhos, homens e com menos qualificações; apenas nove por cento dos graduados apoiam o partido.
- O aumento de novos apoiadores, segundo o estudo, foi driven principalmente por ideologia, não pela insatisfação com serviços públicos ou economia.
- Entre os apoiadores, 67% dizem que imigrantes são ruins para a economia e 75% dizem que afetam a cultura do país; 88% também afirmam que as oportunidades iguais para pessoas trans foram extrapoladas.
- Curtice aponta que, mesmo com uma elevação de apoio entre um grupo autoritário e insatisfeito, o apoio ao Reform pode se estabilizar próximo de vinte e poucos por cento, possivelmente perto de trinta por cento, o que ainda poderia bastar para vencer com o sistema de voto majoritário, dependendo do cenário.
Reform UK pode enfrentar teto em suas intenções de crescimento eleitoral, aponta estudo liderado pelo psephólogo John Curtice. A pesquisa, integrada ao British Social Attitudes, analisa o apoio ao partido de Nigel Farage entre 4.600 pessoas no Reino Unido neste ano.
O levantamento indica que apoiadores da Reform são mais propensos a críticas em relação a políticos e serviços públicos, mas novos filiados apresentam atitudes mais firmes em temas como diversidade e bem-estar social.
Curtice aponta que, como tais temas são adotados por uma parcela menor do eleitorado, o suporte ao partido pode estabilizar na faixa de 25% a 29%, sem excedentes significativos.
Para o pesquisador, o atual foco de campanha em questões sociais está a serviço de uma base menor, o que dificulta ultrapassar esse patamar, mesmo em cenário de fragmentação partidária.
O estudo mostra ainda que o perfil dos apoiadores inclui maior propensão a ter votado no Brexit, ser homem, ter idade avançada e menos qualificação, com apenas 9% de graduados apoiando a Reform.
Em relação a temas sociais, 67% dos apoiadores consideram que migrantes prejudicam a economia, e 75% dizem que afetam negativamente a cultura do país, índices muito acima da média nacional.
Além disso, 88% dos apoiadores defendem que direitos iguais para pessoas trans foram extrapolados, contra 48% da população em geral; 52% para LGBTQ+ e 51% para negros e asiáticos, frente a 27% e 17% nacionais, respectivamente.
A pesquisa reforça que o conjunto de atitudes autoritárias aliado a insatisfação com o governo tem maior probabilidade de sustentar o apoio à Reform, especialmente entre o grupo considerado de alta influência.
Ao comparar 2024 com a nova edição, investigadores notam que o crescimento recente foi impulsionado mais por ideologia do que pela insatisfação com serviços públicos ou economia.
O relatório conclui que, embora a piora na saúde e a situação financeira ajudem a explicar parte do apoio, o diferencial essencial foi a agenda ideológica da Reform e seu apelo a esse público específico.
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