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MP denuncia vereador que atuava como espião de facção monitorando PMs na Bahia

Vereador de Itabela é denunciado pelo Ministério Público por ligação com a Bonde do Maluco, atuaria como espião, vazando informações e mantendo-se preso preventivamente

MP denuncia vereador que atuava como ‘espião’ de facção e monitorava PMs na Bahia
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  • O Ministério Público da Bahia denunciou o vereador Lucas Lemos, de Itabela, sob suspeita de integrar a facção Bonde do Maluco e atuar como espião.
  • A investigação aponta que ele teria se aproximado de membros do Comando Vermelho para repassar informações à facção rival e vazar ações policiais contra aliados.
  • A denúncia o acusa de tráfico de drogas, associação para o tráfico e financiamento do tráfico; ele está preso preventivamente desde o início de novembro.
  • A prisão foi mantida pela juíza Tereza Júlia do Nascimento, que destacou relatório de mensagens no telefone do vereador evidenciando participação estrutural no tráfico, uso de mandato e fachada institucional.
  • Diálogos mostram Lucas Lemos com Patrick Alex de Oliveira, conhecido como Tito, líder do Bonde do Maluco em Itabela; Tito morreu na operação que prendeu o vereador, e Alex da Pax, ligado ao presidente da Câmara, é citado em mensagens sobre proteção ao parlamentar.

O Ministério Público da Bahia denunciou Lucas Lemos, vereador de Itabela, 32 anos, suspeito de integrar a facção Bonde do Maluco (BDM) e atuar como espião. A investigação aponta que ele se aproximou de membros do Comando Vermelho para repassar informações à facção rival, além de usar o cargo para vazar movimentações da polícia. O fato ocorreu em Itabela, cidade com cerca de 28 mil habitantes, a 675 quilômetros de Salvador.

A denúncia tramita na Vara Criminal de Itabela, onde o MP afirma que Lemos participou de atividades relacionadas ao tráfico de drogas, com divisão de tarefas, financiamento de operações e atuação conjunta com outros envolvidos. A magistrada responsável, Tereza Júlia do Nascimento, manteve a prisão preventiva do vereador em 9 de novembro, citando risco de obstrução de justiça e gravidade concreta das acusações.

Detalhes da investigação

Entre os indícios, constam diálogos interceptados que envolvem Patrick Alex de Oliveira, conhecido como Tito, apontado como líder do BDM em Itabela. Segundo o MP, Tito ofereceu proteção ao vereador contra terceiros, e chegou a tratar da ida de Alex da Pax, presidente da Câmara Municipal, a um ponto de venda de drogas para pressionar Lemos. Em resposta, Tito afirma ter autoridade para agir. As mensagens também indicam que Lemos monitorava a atuação policial e dava informações em tempo real sobre viaturas.

Além disso, o MP aponta empréstimos de até 7 mil reais feitos por Lemos a pessoas ligadas ao tráfico, negociação de drogas, vazamento de ações policiais e uso de locais como a Casa de Idosos para atividades ilícitas. Há ainda suspeitas de que ele tenha utilizado o mandato para facilitar atendimento médico a comparsas com desvio de medicamentos e de que um veículo utilizado em homicídio tenha sido ocultado. A denúncia descreve ainda uma suposta relação de Lemos com o tráfico local e com o financiamento de operações.

A defesa do vereador não foi localizada pela reportagem para comentar o conteúdo da denúncia. O material, entregue pelo promotor Igor Saulo Assunção, ainda não foi analisado pela juíza responsável pelo caso, que deve decidir sobre novas medidas processuais.

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