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China relembra Massacre de Nanjing em meio a tensões com o Japão

Pequim e Tóquio divergem em tom militar; em Nanjing, cerimônia reitera a memória da matança de 1937 e alerta para o ressurgimento do militarismo

Guillermo Abril
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  • Em 13 de dezembro, ocorre em Nanjing, antiga capital da China, uma cerimônia de memória com centenas de pessoas vestidas de preto, flores brancas e cobrança de disciplina para transmissão ao vivo.
  • O memorial relembrando a Massacre de Nanjing registra aproximadamente trezentos mil mortos, incluindo civis e prisioneiros, bem como abusos sexuais e destruição da cidade em 1937.
  • O contexto histórico alimenta tensões entre China e Japão, que se acentuaram com críticas à atuação militar japonesa e com resposta de Pequim a manobras chinesas no mar e no ar, apoiadas por aliados.
  • Em tom oficial, o governo chinês enfatiza a memória histórica contra o militarismo japonês, com discurso de Shi Taifeng citando Xi Jinping e defendendo a consciência histórica para manter paz e evitar retrocessos.
  • O ato se encerra com a libertação de centenas de pombas e com o público reforçando mensagens de paz e prosperidade, segundo o memorial.

A cerimônia de memória em Nanjing ocorreu neste sábado, 13 de dezembro, sob céu acinzentado. Milhares de pessoas participaram do ato, que teve início com queixas de solemnidade, toque de sirenes e passos contidos em honra às vítimas da Massacre de Nanjing de 1937.

O evento acontece na antiga capital chinesa, no museu dedicado à tragédia, que registra cerca de 300 mil mortos. Entre os presentes estavam militares, policiais, estudantes e jovens com lenços brancos no peito, todos em silêncio e com flores brancas.

A cerimônia ocorre em meio a um contexto de tensões entre China e Japão. Em semanas recentes, Pequim criticou a escalada militar japonesa, enquanto Tóquio realizou exercícios com apoio de companhias aéreas e forças aliadas. A memória histórica é usada por Pequim para enfatizar o risco de militarismo.

Diante desse cenário, o governo chinês reforçou medidas de contenção diplomática e expressão de nacionalismo. Pequim destacou que o militarismo japonês não está extinto e aponta para a necessidade de paz na região, ao mesmo tempo em que acusa o Japão de negar a magnitude da tragédia.

Durante o memorial, o discurso oficial enfatizou a importância da memória como lição para a paz mundial. O representante do Partido Comunista destacou que a resistência chinesa contra a agressão japonesa salvaguardou a ordem internacional criada após a Segunda Guerra Mundial.

O museu apresenta registros de violência, incluindo relatos de atrocidades sexuais cometidas durante a invasão. A exposição também rememora o julgamento de oficiais japoneses em tribunais internacionais posteriores à guerra, com ênfase na responsabilidade histórica.

Ao final, o ato contou com a leitura de um poema pela juventude e a soltura de palomas, encerrando a cerimônia. A cada ano, a memória da Massacre de Nanjing busca manter viva a lembrança e promover uma relação bilateral mais estável entre China e Japão.

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