- França pediu adiamento dos prazos de assinatura do acordo UE-Mercosul para dezembro, para obter garantias de proteção à agricultura europeia.
- Gabinete do primeiro-ministro afirmou que é preciso continuar o trabalho e assegurar medidas de proteção para a agricultura.
- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretende assinar o tratado na cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, dependendo do aval dos Estados-membros ainda nesta semana.
- A União Europeia anunciou um mecanismo de monitoramento reforçado para produtos agrícolas sensíveis, com possibilidade de intervenção em caso de desestabilização.
- França condiciona a aprovação a três pontos: cláusula de proteção forte, normas da UE aplicadas aos países parceiros e controles na importação; o acordo busca ampliar exportações de automóveis, máquinas e vinhos europeus, em troca de acesso de carne, açúcar, soja e arroz sul‑americanos; mercado UE-Mercosul reuniria 722 milhões de pessoas.
A França pediu neste domingo que a União Europeia adie os prazos para a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul. O objetivo é obter garantias adicionais de proteção à agricultura europeia antes de uma votação entre os Estados-membros.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro, as condições para aprovação não estariam dadas neste momento. A França quer postergar os prazos de dezembro para continuar o trabalho e assegurar medidas de proteção legítimas para a agricultura europeia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, busca assinar o tratado na próxima cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. A UE precisa do aval dos Estados-membros ainda nesta semana, entre terça e sexta-feira.
Condições para aprovação
Liderando a resistência na UE, a França condiciona o acordo a três pilares: uma cláusula de proteção forte; aplicação das normas da UE também aos parceiros; e mecanismos de controle na importação. Esses itens são vistos como determinantes para o “sim” francês.
Antes da posição francesa, o ministro da Economia francês, Roland Lescure, afirmou que, no formato atual, o tratado não é aceitável. Ele destacou que as cláusulas de salvaguarda e os controles seriam centrais para avançar.
O processo de negociação envolve aumentar as exportações europeias de automóveis, máquinas e vinhos para o Mercosul, em troca de facilitar a entrada de carne, açúcar, soja e arroz sul-americanos. Agricultores franceses temem a competição de produtos do Mercosul no mercado interno.
Em 2024, a UE já havia anunciado um mecanismo de monitoramento reforçado para produtos sensíveis, como carne bovina, aves, arroz e etanol. A medida permite intervenção caso haja desestabilização do mercado.
A assinatura do acordo criaria um mercado comum para 722 milhões de habitantes, unindo blocos com forte peso econômico. A negociação, que já dura duas décadas, permanece tensa entre defesa de padrões europeus e abertura de mercados.
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