- Dario Durigan assumiu o Ministério da Fazenda, substituindo Fernando Haddad, após atuar como secretário-executivo da pasta.
- O mercado recebeu a nomeação com tranquilidade, e a prioridade agora é manter a continuidade fiscal e a previsibilidade em ano eleitoral.
- O espaço para gastos está apertado pelo arcabouço fiscal, com crescimento real das despesas limitado a 2,5% ao ano, o que pode levar a bloqueios de investimentos.
- Dura a avaliação de que Durigan atuará pela continuidade, enfrentando dúvidas sobre liderança de reformas estruturais e negociações com o Congresso, já de olho em 2027.
- No front externo, a alta dos combustíveis, puxada pela guerra no Oriente Médio, levou o governo a propor subsídio de diesel de R$ 1,20 por litro até maio, dividido entre União e estados.
Dario Durigan assume hoje o Ministério da Fazenda, substituindo Fernando Haddad após a saída dele para disputar o governo de São Paulo. A nomeação, anunciada pela Presidência na semana passada, chega num momento de alta volatilidade nos preços de combustíveis e de incerteza fiscal.
O novo ministro, ex-secretário-executivo da pasta, chega ao cargo sem surpresas para o mercado. A expectativa é de continuidade das diretrizes de Haddad, com foco em responsabilidade fiscal e manutenção da previsibilidade econômica em ano eleitoral.
Durigan terá pela frente a tarefa de conter a inflação causada pela alta de combustíveis, especialmente petróleo e diesel. O ambiente externo, marcado por conflitos no Oriente Médio, eleva o desafio de manter a inflação sob controle.
Politica fiscal e espaço de gasto
O principal objetivo na gestão é cumprir metas fiscais e reduzir ruídos que possam abalar a confiança dos investidores. Analistas destacam a necessidade de previsibilidade e execução clara das ações já previstas.
O espaço para novos gastos neste ano é limitado, devido ao regime fiscal vigente. Entidades destacam que o crescimento real das despesas é limitado a 2,5% ao ano, o que reduz o espaço para investimentos e iniciativas livres.
Além disso, o arcabouço fiscal vem sendo questionado e pode sofrer mudanças a partir de 2027. A avaliação é de que o modelo atual depende fortemente de arrecadação, o que aumenta vulnerabilidade a choques externos.
Desafios institucionais e Congresso
Apesar da experiência técnica, surgem dúvidas sobre a capacidade política de Durigan para liderar reformas volumosas. Ele tende a atuar na linha da continuidade, com menor espaço para grandes mudanças estruturais e negociações com o Congresso.
No curto prazo, pautas econômicas devem avançar com cautela, dado o calendário eleitoral. A tramitação de propostas como a PEC do 6×1 deve se manter lenta e exigir consenso entre forças políticas.
O imposto do pecado, ou imposto seletivo sobre itens nocivos, enfrenta resistência e pode demorar a avançar. A expectativa é de entrada em vigor apenas em 2027, caso haja acordo entre poderes.
Combustíveis e impactos externos
A alta do petróleo, alimentada pela guerra no Oriente Médio, é o principal teste para Durigan. O governo avalia subsídio aos importadores de diesel para conter o preço nas bombas, com custo estimado de 1,20 por litro até maio, dividido entre União e estados.
Como aproximadamente 30% do diesel consumido no Brasil é importado, o repasse de preços no atacado tende a pressionar a inflação. Qualquer medida adicional depende de articulação com estados e entes regionais.
Perspectivas eleitorais
Até agora, a troca no comando da Fazenda não provocou turbulência significativa no mercado, que sinaliza continuidade. Contudo, analistas observam que a partir de 2027 a liderança de Durigan poderá ser mais demandada para guiar reformas.
Há também a preocupação de como o ministro irá lidar com pressões por medidas rápidas em ano eleitoral, equilibrando necessidade fiscal com demandas sociais. O cenário político, especialmente próximo das eleições, pode influenciar decisões de curto prazo.
Durigan chega com perfil técnico e de atuação discreta, buscando manter a previsibilidade e atravessar o período eleitoral sem rupturas. A médio prazo, o ambiente dependerá de decisões políticas e da estabilidade que se manter.
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