- México busca fortalecer a relação siderúrgica com os Estados Unidos sem aranceles, com uma conferência regional para promover a integração das indústrias da região.
- Uma comitiva mexicana de autoridades e empresários se reuniu com pares americanos em Paris, após a reunião do Comitê de Aço da OCDE.
- As exportações mexicanas de aço para os EUA enfrentam tarifa de cinquenta por cento desde o ano passado; o déficit comercial do setor chegou a cerca de US$ 4,4 bilhões em 2025, com 2,5 milhões de toneladas.
- O governo mexicano pretende, com o apoio da OCDE, desenvolver metodologia de conteúdo regional e nacional para combater práticas de comércio desleal, como triangulação de mercadorias.
- O governo tem atuado internamente para reduzir tensões comerciais, incluindo ações de fiscalização sobre importação de aço e monitoramento de políticas vinculadas ao acordo norte-americano (Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá).
Nos Estados Unidos e México buscaram reforçar a relação siderúrgica entre os dois países, mantendo o diálogo sem aranceles na integração de Norteamérica. Uma comitiva mexicana, formada por autoridades e empresários, reuniu-se com colegas norte-americanos para discutir estratégias de cooperação no setor. O encontro ocorreu após debates relacionados a um comitê internacional, com o objetivo de retomar a prática de reuniões bilaterais regulares.
A delegação mexicana foi liderada pelo diretor da Câmara Nacional de Indústria do Ferro e do Acero (Canacero), Salvador Quesada. Do lado dos EUA estiveram representantes da USTR, da Department of Commerce e da Associação de Fabricantes de Acero, entre outros. A ideia central é criar um formato de cooperação regional, com proposta de realização de uma nova conferência setorial denominada NASCC (North America Steel Conference).
Ao comentar, o subsecretário de Comércio Exterior do México, Luis Rosendo Gutiérrez Romano, destacou que o objetivo é restabelecer uma relação histórica entre as indústrias e avançar com propostas que promovam segurança econômica e resiliência regional. A participação mexicana ocorre em meio a tarifas de 50% que incidem sobre as exportações de aço para o mercado dos EUA desde o ano passado.
Contexto e objetivos
Paralelamente, Gutiérrez Romano revelou que o México pretende, com apoio da OCDE, desenvolver metodologia para medir conteúdo regional de mercadorias, buscando transparência e combate a práticas de comércio desleal, como triangulação de mercadorias. O país também aponta para a necessidade de equilíbrio com países asiáticos que mantêm acordos de livre comércio com México, mas podem adotar estratégias de triângulo comercial.
As tarifas aplicadas pelo governo dos EUA ao aço mexicano são um ponto de tensão conhecido. Dados oficiais indicam que, em 2025, o déficit comercial entre México e EUA no setor atingiu cerca de US$ 4,4 bilhões, com exportações de aço estimadas em 2,5 milhões de toneladas. A comunidade empresarial mexicana tenta, assim, consolidar um caminho de diálogo direto com autoridades americanas para reduzir ou eliminar as tarifas.
Panorama setorial e cenário internacional
Apenas este ano, o mundo observa sinais de demanda estável, ainda que sombreamos por efeitos de conflitos internacionais. Questiona-se se medidas de proteção, como tarifas e verificações de práticas comerciais, ganham novo impulso frente a uma sobrecapacidade siderúrgica global, estimada pela OCDE em 640 milhões de toneladas para 2025. A percepção é de que mudanças de origem de produção e exportações de produtos com alto conteúdo de aço podem influenciar futuros fluxos comerciais.
O episódio de tensions com o comércio externo não impede o México de buscar equilíbrio com seus parceiros. O governo tem atuado em ações internas para reforçar a vigilância de empresas ligadas ao aço, diante de acusações de comércio desleal. A meta é manter o fluxo comercial estável, ao mesmo tempo em que se trabalha para reduzir barreiras tarifárias e restabelecer previsibilidade para a indústria siderúrgica mexicana.
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