- O retorno da inflação coloca o governo de Albanese sob pressão para não piorar o problema fiscal.
- O déficit deste ano permanece elevado, estimado em torno de $36,8 bilhões, mesmo com melhoria de $5,4 bilhões em relação à previsão pré-eleitoral.
- A projeção para 2025-26 aponta uma melhoria de $8,4 bilhões ao longo de quatro anos até 2028-29, porém o déficit continua significativo.
- O governo mira economias, incluindo $6,8 bilhões com cortes em consultores, contratados e trabalho temporário, somando cerca de $20 bilhões em economia anunciadas no Myefo.
- As projeções indicam uma década de déficits e retorno ao equilíbrio apenas na metade dos anos 2030, com possibilidades de alta de juros e necessidade de medidas adicionais no longo prazo.
O governo australiano aposta na contenção para não agravar a inflação, apresentando o Myefo desta semana. O gabinete de Anthony Albanese busca mostrar responsabilidade fiscal, apesar de pressões de gasto e de um déficit em ascensão.
Jim Chalmers, ministro da Fazenda, anunciará um aperto de orçamento que registrará um crescimento modesto da previsão de deficit. A estimativa traz um quebranto de 5,4 bilhões de dólares em relação ao cenário pré-eleição, ainda assim acima de 10 bilhões de dólares no exercício 2024-25.
Katy Gallagher, ministra-corienta da área orçamentária, participa do esforço de gestão das expectativas. Em meio a custos de desastres, pensões e benefícios militares, o governo projeta mais despesas e reforça planos de cortes em consultorias e contratação externa.
A projeção para 2025-26 mostra o deficit em expansão, com melhoria líquida de 8,4 bilhões de dólares ao longo de quatro exercícios até 2028-29. O ajuste ocorre mesmo após dois exercícios com superávit, que foram revertidos pela inflação e por gastos adicionais.
Segundo autoridades, o governo não ampliará subsídios diretos às contas de energia residencial, mantendo o compromisso de que foram medidas temporárias. Estão previstas pressões de cerca de 35 bilhões de dólares em gasto, incluindo 6,3 bilhões para ajuda em desastres, 3 bilhões para aposentadorias e 2,1 bilhões para benefícios de militares.
O governo planeja economias de até 20 bilhões de dólares via redução de uso de consultorias, contratos e contratação temporária, com ganho estimado de 6,8 bilhões apenas nesse edital. Cada pasta recebeu orientação para cortar despesas relevantes sem comprometer serviços essenciais.
Paralelamente, departamentos federais devem priorizar cortes de até 5% no uso de recursos, antes do orçamento de maio. O Myefo também aponta continuidade de déficits na próxima década, com retorno ao equilíbrio apenas no meio da década de 2030, dependente de cenários de crescimento de despesas e maior contribuição de trabalhadores.
Além disso, o governo anunciou aporte adicional de 5 bilhões de dólares para o programa de baterias domésticas mais baratas, ainda que haja recuo de benefícios para as baterias mais caras por decorrência de custos. A previsão de custo do programa é de 2,3 bilhões de dólares até 2030, com risco de esgotamento do financiamento.
Economistas aguardam sinais de que preços de commodities permanecerão acima das projeções conservadoras. Isso pode impactar tributos sobre empresas e ampliar o défice neste ano, reforçando uma trajetória fiscal desafiadora para o governo.
No cenário político, o Labor busca consolidar a imagem de gestão econômica estável, frente a críticas de oponentes sobre “gasto público”. Enquanto o Banco Central pode elevar juros caso os dados de inflação não amenem, o timing para novas medidas continua incerto.
O Myefo surge em meio a avisos de decisões difíceis e de um calendário parlamentar curto, com 25 sessões restantes antes da divulgação de novos números oficiais. O governo manterá o foco na responsabilidade orçamentária sem anunciar reformas econômicas estruturais neste momento.
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